20 de abr de 2011

A ILHA MÁGICA

O navio se aproximou lentamente do porto. Do convés, conseguia ver aquela rocha gigantesca, emergindo do mar, no meio do nada, muito alta, com casas brancas, muito brancas, encarapitadas lá em cima.
O porto fervilhava de movimento – cafés maravilhosos – simples, rústicos, com toalhas de xadrez nas mesas de madeira tosca, cadeiras antigas, mas nisso tudo se encontrava a maravilha do lugar – naquela simplicidade, mas um ar de calor humano envolvendo tudo.
Ainda no navio tínhamos sido avisados que teríamos que ir montados em jumentos até o topo da ilha – alguns passageiros ficaram apavorados – eu ria deliciada – criada em fazenda, acostumada a montar a cavalo desde 2 anos de idade, montar num jumento, tirava de letra. Além do mais, a magia daquele lugar começava, exatamente pelo transporte a ser utilizado – nada daqueles ônibus refrigerados, com guias atropelando os ouvidos, em descrições frenéticas de monumentos e eventos.
Ali, naquele lugar, teríamos a mesma experiência dos habitantes – podia-se escolher: ou subir montado no jumento, ou ir a pé...  nem me passou pela cabeça a segunda alternativa – de jumento ia eu... e fui...
Uma das experiências mais marcantes da minha vida – no lombo daquele animal, puxado por um habitante – tentei pedir que me deixasse conduzir o animal sozinha, mas, a trancos e barrancos, me disse num inglês macarrônico,  que era proibido deixar turistas montarem sozinho... fazer o quê?
Mas foi muito melhor, com ele conduzindo, porque me deixei ficar ali, no balanço do passo do animal, subindo cada degrau – todo o caminho é em baixos degraus de pedra – despreocupada, podendo desfrutar daquela vista deslumbrante – o caminho acompanha todo o litoral – um mar azul como poucas vezes pude ver, um silêncio absoluto – éramos somente eu, o mar e o balanço do animal...
Chegamos ao topo, uns 5 minutos depois e lá de cima vi as casas brancas, uma grudada na outra, com entradas em arco, degraus e mais degraus, circundas por aquele gigantesco mar de um azul único e um silêncio que envolvia tudo e todos.
Fiquei parada na beirada, em um ponto, me deliciando, me encantando, absorvendo com olhos e todos os outros sentidos aqueles momentos – únicos, especiais, sabendo que jamais voltaria. Tudo ali ficou impregnado em mim – o aroma do mar, as cores da ilha e, pouco depois, caminhando, me deparei com novos bares, barulhentos acolhedores, com café forte e doces que pingavam mel...
Caminhei por aquelas vielas estreitas, janelas escancaradas na altura dos olhos de quem passava, recebendo sorrisos acolhedores de desconhecidos...
A  volta ao porto, confesso que tive medo de fazer montada no jumento – degraus de pedra me pareceram perigosos em descida – e voltei a pé – mais tempo pra me deliciar com todo aquele lugar, aquela paisagem, parando de vez em quando, não pra descansar, mas pra prolongar a permanência naquela ilha mágica.
Afinal, hora de voltar ao navio – do convés, vi a ilha se afastando, diminuindo, branca em um raro esplendor, mantendo sua paisagem, seus habitantes, seus aromas e cores. A ilha mágica – Santorini.

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