9 de out de 2014

CIGANOS EM ACRÓSTICO



JOÃO P.C. FURTADO & MARINA DA PAZ


Minha amada Cigana Feiticeira ti levo
À garupa das asas do Vento-Leste.
Repleta de emoções, mil e uma léguas voaremos
Com indefinido destino iremos até ao fim
Imaginem, se puderem, a linha do horizonte.
Ali onde o mundo acaba lá estará a nossa tenda!

Cabelos ao vento da minha cigana são nuvens
Riscadas nos céus que com os mares se beijam...
Informes lá onde a imaginação pensa ser o fim
Sempre sonhado e jamais alcançado por homem
Tudo ali continua e se prolonga no espaço que contem.
Imensas história que o tempo esforça por esquecer,
Não conseguindo jamais, pois os poetas teimam em recordar
À noite a luz da fogueira aos filhos do vento e da imaginação!

Ventos que aos ouvidos segredam de mansinho
As páginas do eterno e divino livro são
Remessas do passado que ao futuro enviam...
Recordando ao presente, por sol iluminado,
Importantes histórias das vidas e belas
Culturas que o futuro precisa e necessita.
Conhecer na tradição do dizer do ancião
Hoje e agora que “naquele tempo era assim…”
Imitando a Mãe Natureza a quem respeitávamos
O futuro… Se queremos que exista… tem que ser assim!

Já te espero, cigano querido.
O destino é mesmo logo ali.
A carta do Amor e do Sol...Foi isto que li.
O futuro chegou. Já é... então e assim!

Cavalo marchador, mar bravio.
Imaginação lépida, sem trégua!
Garupa sacode, cabelos soltos ao vento.
As histórias de amor, tantas, contar não podemos.
Nada de passado.  Só o presente a nos despertar.
Oceano de rosas, profundo, dolente, sem fim!

Muito me apraz teu recado receber, e que amorosamente
Ao pardal, nosso mensageiro, eu agradeço encarecidamente.
Recado e segredo é ele o mestre em engenho e na arte.
Inventa às vezes algo mais que dito é da preocupação.
Na destreza de querer ver-nos cativos da sublime paixão.
A intenção é o que conta e é boa e feita de nobre coração.

Dá ele, o pardal, asas ao vento leste até ti, minha Cigana.
Ali, breve estará o pardal e dirá que és de mim a dona.

Poucas palavras ele leva e são de Paz e compreensão.
Amor e sonhos lindos que contigo tive durante o serão.
Zeloso, lhe pedi que te omitisse a minha triste solidão.

Contudo, Cigano, o pardal contou-me o segredo, não pôde se calar.
Insistiu, me chamou, me fez voar. Até me ensinou a poetar...
Guardava o mel no pote; Espalhado foi, com este rebote.
Afinada diversão.  Amigo, em poesia:  Diga Xô pra solidão.
Nada além da fantasia, do sentir criativo, pra retornar a alegria.
O deslumbre... Em sensibilidade. Reinvente-se. Encante-se!

Já retornarei . Mandarei noticias. Sou Cigana! Cabelos ao Vento!
O horizonte é lindo e, em Kumpania, é degustado. Fui! Arrebol!
Aqui faz chuva, também sol. Às vezes, “suva”, outras vezes “chol”!
O recanto da alma é pura magia... Poetemos o Tudo! Somos o Sol!

Cigano! Arriba! 



Para o Pardal/MARINA DA PAZ

Meu Pardal tagarela e mui fraco as belezas
A tua missão de carteiro e de correio
Raro ou nunca permitiria tal devaneios
Insistido apenas possíveis pelo tamanho encanto
Nas tuas asas confiei a minha carta e com elas
A minha Cigana ensinaste a voar aos mil céus...

Diga-me Pardal se posso confiar em ti, meu amigo
Ainda assim e esperar que dos céus tragas-me a minha dona?

Porque deixei que o ócio me fizesse a ti encomendar
A missão que aos surdos e cegos e mudos deve-se destinar ?
Zéfiros de alegria me restam, pois na minha Gitana aprendi a confiar...

Já se aquiete, menino impaciente!
O coração no mundo da poesia é o presente!
A gente recebe, troca e todos seguem contentes.
O cigano só tem uma sentença: ser livre em bem querença!

Minha alma não para nunca
A minha amada não imagina
Ronca a montanha em eco
Com o passar do vento apressado
Inquieto, pois leva a minha alma
A garupa e sem destino é o destino dela!

Na garupa, sem destino?
Seu destino será o dela!
Demorou..! Voou!
Entrou pela janela!
Alçou! Voou!

Saltaram pela janela!

Obrigada Cigano João pelo convite ao dueto!

5 comentários:

  1. MARINA DA PAZ


    Meu Coração sente grande no pequeno espaço
    Acrósticos em dueto minha poetisairmã deseja
    Resta aos céus pedir e desejar do grande Febo
    Inspiração que Musa já tenho é a gitana dos encantos
    Nela deposito a esperança de poder sonhar
    Amar a vida e escrever para espalhar aos mil cantos

    Do Pardal serviços seus exijo até ao exaustão
    As minhas missivas os seus voos levarão.

    Por mares já conhecidos, pois Colombo, o Cristóvão
    Abraçou toda a fama e todo o proveito da nobre missão...
    Zepelim não usarei, certo estou ou pardais ou ventos irão!

    Poetamigo João P. C. Furtado.
    Autorizou esta publicação.

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    Respostas
    1. Parabéns aos dois poetas!
      Belíssimo acrósticos,
      e esta música e imagem, encantam!!!
      Dá vontade de dançar...rsrsrs
      Mil aplausos, amei!
      Beijos

      Optchá

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  2. MARINA DA PAZ

    As nuvens e a noite cobrem o céu
    E o Sol já cansado de por cá viajar
    Resolve ir dormir e eu acordado a sonhar
    Estou a apreciar este belo canto seu!

    Optchá gitana
    João Furtado, o Cigano Negro

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Querido Cigano Poetamigo, parceiro em Poesia!
      Fiquei imensamente feliz com a sua visita ao Canto, que é de todos!
      Gostou de nossa publicação?
      Adorei o poemeto! Grata, sempre gentil!

      Cigano, Embaixador da Paz, em Cabo Verde.
      Aprecie tudo por aqui.
      Conte comigo e, em especial, com a Cigana Janete.

      Namastê Optchá!

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