20 de mar de 2017

Nações Indígenas - Marcia Cristina B. N. Varricchio

Nações Indígenas  por:
Marcia Cristina B. N. Varricchio

Respeitar para dar-se ao respeito (Parte 1)
Muitas questões no contexto indígena precisam ser resolvidas, dentro de um olhar abrangente.
Soluções que nem sempre agradam a todos (nem brancos, nem vermelhos)...
Faz-se necessário ouví-los. O que pensam? quais seus conceitos?
Serão tão diferentes assim dos não índios?
Existem vários documentos em filmes e em vídeos disponíveis.
Para começar a reflexão, ache interessante trazer um pequeno trecho onde ouvimos os antigos contarem parte da história, o seu respeito pelos que trabalharam com eles de maneira íntegra...Rondon, Villas Boas, dentre outros.
O documentário é maior e muito interessante. Recomendo.
A arte sensibiliza o que a ciência humanística nos expõe.
E, no fundo, o valor de sempre: Saber respeitar para dar-se ao respeito!
A partir daí, conflitos podem ser minimizados.
Sem o respeito ao ser humano e nem aos seres vivos, observa-se a prepotência e os interesses financeiros sobrepujando não somente a eles, mas a todos nós.
Neste documentário, um deles lembra que não será apenas o neto indígena dele sem fonte de água, mas as futuras gerações, independentemente de etnia.
Nada mais razoável do que se pensar assim...
Nações Indígenas - o início de uma reflexão através de um trecho de filme:"O último kuarup branco".

4 de mar de 2017

Um Cigano no mundo por Janete Sales Dany



Sou livre, sou daquele chão distante...
Minha vida é luz que jamais se apaga
Os olhos brilham ao ver o horizonte
E se enfrento o mar a fé não naufraga

Mostro a visão do mundo em meu semblante
O riso, mas também a dor que esmaga!
Lembrança da injustiça, um mal cortante...
A música é consolo em minha saga

PELA FLORESTA - por Marcia Cristina Varricchio




Em fevereiro de 2017, foram realizados encontros entre as lideranças indígenas do Xingú (dentre elas pajés Sapaim e Raoni), os ciganos e pessoas de diversas comunidades.

A diretoria da União Cigana do Brasil convidou o Projeto Tsara do Beija-Flor para estar junto a eles em uma roda de conversa, Saúde e Ambiente.
Foi um encontro muito fraterno, com a energia da floresta promovendo muito bem-estar e conexão.
Deixo este pequenino registro, muito comovida, pelo carinho, confiança e respeito ao pequenino trabalho da Tsara.
Agradeço parabenizando o belíssimo trabalho realizado pelas lideranças xamânicas e ciganas e, claro, a todos aqueles que os apoiaram!
Tive a oportunidade e a honra de cozinhar para eles ofertando como meu presente pessoal, pois a magia do coração reflete o Grande Espírito, reconhece-nos como irmãos e alquimiza as melhores, mais sutis e mais positivas vibrações que nos nutrem e plenificam.
Já estive pelas bandas de lá, eles já estiveram pelas bandas de cá...
A amizade continua. Reafirma. Prosseguiu, sob a forma de trabalho.
Gratidão por toda convergência insondável para a participação em parceria e em excelente convívio com todos estes queridos amigos!
Guardiões. Guerreiros. Eretos.
De pé! Opre!
Marcia Cristina Varricchio

15 de jan de 2017

MADEIRA – Um conto


MADEIRA
Era Natal.


Aquele dia em que os homens no planeta comentam sobre as lições da Natividade e pensam (alguns se comprometem) que a partir deste dia serão melhores pessoas...

Aquele homem idoso há incontáveis anos, desde a ocasião da morte do irmão, barô de seu grupo cigano, havia assumido a liderança de sua gente.

Muitas dificuldades haviam sido ultrapassadas. Pacíficos, seguiam por terras desconhecidas.

Havia abrigo, união e alimento. E o trabalho garantia as provisões.

Contudo, brinquedos não seriam trocados nem compartilhados por suas crianças.

De sua vida em si mesmo, nada a reclamar. O fato de não ter casado nesta vida, lembrava-o do quanto era feliz por poder ser o “pai” entre os seus. Nada o realizava mais do que percebê-los bem e em condições de pensarem por si mesmos, mantendo a maneira e a postura dignas.

A noção do nascimento de Jesus e o respeito à sua nobre e eterna mensagem haviam florescido nos corações, através dos exemplos dos mais velhos, dos gestos dos mais jovens e na ternura cativante das crianças.



Porém, sua idade já avançada, trazia um desejo de neste dia, oferecer às crianças mais um lindo presente, que em seus corações deixasse gravada uma doce recordação.

Foi então que ao suspirar fundo e olhar para o céu, percebeu que mais à frente existia um bosque. Rapidamente ele identificou...Sorriu, lembrando-se de sua infância e agradeceu a Deus a linda oportunidade...

Animado, dirigiu-se ao grupo de “trailers” estacionados próximos ao riacho de águas límpidas e cristalinas. Chamou todas as crianças.

Sorrindo, perguntou quem queria ganhar de presente um lindo conto de Natal.


Todas as crianças se animaram e levantaram os bracinhos gritando: - “Eu!!!!”

Para lá seguiram, alegres e saltitantes.

Sentaram em roda, numa clareira da mata. E o idoso cigano começou a contar-lhes sobre a herança que a Mãe Natu-reza havia deixado para eles, para cada criancinha ali presente. E para tantas outras...

As crianças deixaram-se embalar por sua voz doce e cadenciada, ouvindo ao fundo o cantarolar das águas do riacho, recebendo os mornos raios solares que passavam por entre as árvores, sentindo a maciez da terra onde sentavam e enterravam os seus pezinhos, recebendo o frescor da brisa da manhã.

Algumas gotas de orvalho decompunham o prisma das cores nas folhas dos arbustos e das árvores.

Um perfume pairava no ar. Também em suas almas sedentas do alimento para o espírito. Atentas e harmônicas, assim ouviram o conto.

Ali, em simplicidade, celebravam a comunhão.

Nasciam e renasciam em espírito, sob os cuidados amorosos do ancião com a mensagem que foi deixada.

Sim, era Natal.

Silêncio interior, quietude da alma, festa na natureza. E os corações pulsando uníssonos, naquilo que verdadeiramente importava...

De repente, dois rapazes da tal localidade desconhecida, embora o grupo cigano estivesse na periferia da cidade, vieram reclamar a presença deles ali.

Aquele bosque era deles, para exploração comercial deles somente!

Não havia tempo nem espaço para explicações.

O jovem líder, com um olhar intoxicado, aproveitou-se do fato do ancião estar sentado. Vociferou e o esbofeteou.

Para horror das crianças, que conheciam rigor, porém desconheciam violência.

O ancião, fez um movimento sutil com a cabeça e com os olhos para a menina mais velha do grupo infantil, incitando-os a correrem, a saírem com urgência todos dali, livrarem-se do perigo...

E ali permaneceu, imóvel. Agora de pé. Aguardando o próximo golpe...

Poderia com relativa facilidade ter contido ambos os rapazotes, pois o seu corpo ainda era rijo e ele sabia se defender, sem precisar de nenhum tipo de arma.

Porém o bem-estar de sua comunidade vinha sempre em primeiro lugar.

Um cigano sempre pensava no grupo.

Isto os distinguia de um bando. Isto os diferenciava do individualismo.

A despeito das interpretações equivocadas...

Ele não suportaria que, por mais uma vez, alguma covardia fosse cometida contra os seus.

Aliviado, percebeu que as crianças já não mais estavam ali. Seus gritos pelo bosque iam aos poucos desaparecendo.

Sucederam-se então uma série de imprecações, de agressões verbais e físicas.

O infeliz rapazote, perguntava ao velho homem: - “Cigano é gente?”

O idoso apenas olhava para ele e nada falava.

Sabia muito sobre o poder das palavras para usá-las mal ou entoá-las mal.

A multiplicação do verbo (escrito ou falado) deveria ser cuidadosa.

Permaneceria então assim, mudo. Observando-os.

Esta postura serena e não submissa, irritava-os mais e mais. Dilacerava-os em suas seguidas explosões de ódio.

Então os dois rapazotes, um colérico e o outro orgulhoso de sua diferente etnia, espancaram o velho cigano até a morte.

Para que ele servisse de lição aos outros ciganos para que não se aproximarem, pois não seriam bem vindos, uma vez que não eram cristãos...

A única reação do idoso cigano antes de morrer foi olhar bem no fundo dos olhos dos rapazes.


Eles estremeceram, porém já sem conseguirem controlar seus impulsos, prosseguiram à cruel catarse.

Contudo, este olhar os acompanhou, pelo resto da vida...



A caravana com poucos homens, muitas mulheres viúvas e crianças, rapidamente dali se afastou.

Os homens deixaram o grupo familiar em segurança e rumaram o mais rapidamente possível para resolver a contenda.

Chegando lá, receberam o cruel golpe por não ter dado tempo de socorrer o velho barô.

Choraram, oraram e recolheram o seu corpo, ainda perfumado.

Saíram sem olhar para trás com suas famílias daquele local de pestilência.

Em uma pairagem tranquila, procederam ao funeral.

Repartiram o pão. Seguiram viagem.


Anos se passaram. Um dia a caravana por ali precisou caminhar, mais uma vez.

Os jovens, aquelas antigas crianças, ainda traumatizados, quiseram render um culto em homenagem ao querido barô.

Desta vez foram todos juntos, contritos, ao local de sepultamento de seu corpo. O aroma perfumado servia de guia para a trilha anteriormente percorrida.

A menina mais velha, resolveu então revelar a todos o conto de Natal que o barô os havia presenteado:


“Em algum lugar do passado havia um senhor bastante idoso, cujas tarefas para com este mundo já haviam terminado.

Apesar da consciência tranquila, as pessoas insistiam para que ele se aborrecesse com as opiniões a seu respeito.

Que de alguma maneira ele reagisse, pois quem cala, consente. Tanto insistiram, que ele prometeu que refletiria a respeito.

Fez uma prece e se recolheu. E reviu o seu passado...



Como uma madeira, ele havia sido talhado para cuidar do bem-estar, dos hábitos e da cultura de sua gente.

Era querido e respeitado por isto. Sentia-se muito honrado, por tanto.


Como uma madeira, ele havia tido tantas experiências acumuladas que o marcaram e o feriram, mas também o embelezaram, feito os nós.



30 de dez de 2016

DIVERSIDADES – Dança Cigana

DIVERSIDADES  – Dança Cigana
O Projeto Diversidades, surgiu a partir da proposta de trabalho desenvolvida pelo Projeto Tsara do Beija-Flor há cerca de 9 anos, de atividades de promoção à ética, à tolerância e, consequentemente, à cultura de paz através da compreensão sobre o que é diversidade ambiental e diversidade cultural.
O projeto Diversidade e Saúde foi submetido e aprovado pela diretoria do Centro Cultural da Faculdade de Medicina de Petrópolis e Faculdades reunidas Arthur de Sá Earp Neto (FMPFASE).
No subgrupo Vida Cigana do PEAPAZ  relatarei os pontos em destaque deste projeto, durante os meses de sua realização.
Em setembro de 2016, o Centro Cultural da FMPFASE recebeu o Grupo Gipsy Down, da Sociedade Síndrome Down do Rio de Janeiro, que é um grupo de adolescentes que estudam, trabalham e se apresentam artisticamente com dança cigana (Figura 1).
Figura 1: Grupo Gipsy Down no jardim do Centro Cultural da FMPFASE.

A professora de dança cigana, Dvorah Darah, compareceu para participar em ambos os eventos:
- A gravação de entrevista para a TV FASE (mostrado no vídeo aqui postado em 21/12/16 por Janete Sales), conforme mostrado na Figura 1 :


Figura 1: Dvorah Darah no auditório do Centro Cultural da FMPFASE.
- A apresentação do Grupo Gipsy Down no auditório do Centro Cultural da FMPFASE (Figura 2).

Figura 2: Grupo Gipsy Down homenageia a professora Dvorah Darah com flores.

O trabalho inclusivo (muito mais para nós do que para eles ou suas famílias) contou com a presença da atleta que correu com a tocha olímpica Suzana Schmidt bem como com a professora que representou a FASE, Regina Bortolini (Figura 3).

Figura 3: O evento contou com a colaboração da atleta Suzana Schmidt e ainda recebeu a visita da profa. Dra. Regina Bortolini da FASE.

Este evento foi cercado de carinho por todos aqueles participantes que auxiliaram no transporte, no lanchinho, no almoço, nas lembrancinhas, enfim que professores, funcionários, alunos, cidadãos de boa vontade, empresas, todos que colaboraram para que este evento fosse não apenas um sucesso, porém um abraço de amor (Figura 4).



Figura 4: Equipe do restaurante que preparou almoço temperado com amor em cada pequenino gesto.
Biscoitinhos de uma casa célebre em Petrópolis, ofertado em embalagens com formato de coração preparado por uma profissional de festas, trouxe muita alegria aos muito bem humorados jovens na hora da partida (Figura 5):



Figura 5: Grupo Gipsy Down.
Neste ambiente descontraído, encerramos as atividades do mês de setembro de 2016.
O Projeto Diversidade e Saúde no mês de outubro teve a palestra preparada pelo Rabino Saul Gefter sobre Saúde e Ética na relação Médico-Paciente desde os primórdios da concepção judaica.
E em novembro foi encerrado através da apresentação do significado e depois da exibição da dança do ventre árabe com a professora de dança do ventre, Cíntia Mohani.
Este foi um lindo projeto que deixou saudades em todos: funcionários, professores, alunos e público em geral. Esta possibilidade de convivência, de troca, de aprendizado e, em última instância, de simplicidade nas relações consistiu numa oportunidade bela e em um rico exemplo para nós de dignidade e cidadania.


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