24 de nov. de 2011

Os cegos e o elefante...by Dany

Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. 
Como os seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas recorriam à sua ajuda.

Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles que, de vez em quando, discutiam sobre qual seria o mais sábio.


Certa noite, depois de muito conversarem acerca da verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. 

Disse aos companheiros:

- Somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí discutindo como se quisessem ganhar uma competição. 

Não aguento mais! Vou-me embora.

 

No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num enorme elefante. Os cegos nunca tinham tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele.
  


O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou:

- Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! 

Posso tocar nos seus músculos e eles não se movem; parecem paredes...

- Que palermice!

- disse o segundo sábio, tocando nas presas do elefante. 
- Este animal é pontiagudo como uma lança, uma arma de guerra...

- Ambos se enganam 

- retorquiu o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante.
- Este animal é idêntico a uma serpente! 
Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia...

- Vocês estão totalmente alucinados! - gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante. - Este animal não se parece com nenhum outro. Os seus movimentos são bamboleantes, como se o seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante...

- Vejam só!

- Todos vocês, mas todos mesmos, estão completamente errados!
- irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. 
- Este animal é como uma rocha com uma corda presa no corpo. 
Posso até pendurar-me nele.

E assim ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. 

Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança.

Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tacteou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. 



 Agradeceu ao menino e afirmou:

- É assim que os homens se comportam perante a verdade.
Pegam apenas numa parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!

(História do Folclore Hindu)

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