2 de jun de 2012

Nove em cada dez ciganos abaixo do limiar da pobreza


Conclusão é de um estudo da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia

Maia: 10 famílias ciganas dormem na rua há três dias

Nove em cada dez ciganos a residir em onze países da União Europeia vivem abaixo do limiar da pobreza e metade diz ter sido vítima de discriminação. A conclusão é de um inquérito europeu, que inclui dados sobre Portugal.


O trabalho foi realizado pela Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA), que entrevistou mais de 22.200 pessoas ciganas e não ciganas a residir na Bulgária, Eslováquia, Espanha, França, Grécia, Hungria, Itália, Polónia, Portugal, República Checa e Romênia.


No estudo, são consideradas não ciganas as pessoas «a residir na mesma área ou nos bairros mais próximos dos ciganos entrevistados».

«Os resultados apresentam um quadro sombrio da situação dos ciganos que foram inquiridos», revela a FRA, que aponta que «a comparação com os não ciganos que vivem nas proximidades revela diferenças significativas quanto à sua situação económica».

Os dados da FRA revelam que, «em média, cerca de 90 por cento dos ciganos entrevistados vivem em agregados familiares com um rendimento equivalente abaixo do limiar de pobreza nacional».

«Em média, cerca de 40 por cento dos ciganos entrevistados vivem em agregados familiares onde alguém foi para a cama com fome pelo menos uma vez, no último mês, por não ter dinheiro para comprar comida», lê-se no documento.

De acordo com os resultados do inquérito, apenas um em cada três tem emprego remunerado e cerca de 45 por cento vive em habitações que não têm pelo menos uma das seguintes instalações básicas: cozinha, casa de banho, chuveiro ou banheira e eletricidade.

Em matéria de educação, e especificamente em relação ao ensino superior, Portugal é o país que apresenta piores resultados, com uma média de menos um cigano em cada dez a completar o ensino superior.

Já em relação às crianças com idade igual ou superior a quatro anos que frequentam o pré-escolar, em Portugal o valor ronda os 55 por cento, contra mais de 90 por cento de crianças não ciganas.

O inquérito revela também existir ainda uma percentagem (cerca de 2,5 por cento) de crianças ciganas em Portugal, com idades entre os sete e os 15 anos, que não vão à escola.

No que diz respeito ao emprego, o inquérito revelou «importantes discrepâncias entre os ciganos e os não ciganos em França, Itália e Portugal», onde apenas um em cada dez ciganos com idades entre os 20 e os 64 anos disse ter trabalho remunerado.

4 comentários:

  1. Oi Cigano,

    esta é uma realidade tão triste que necessitaria de mudanças tão urgentes, porém nesses campos de desenvolvimento social tudo é tão lento. Mas, creio que isto não pode ser um fator de desânimo, a divulgação de tais condições, os debates sobre este assunto, o conhecimento e reconhecimento dessa cultura e deste povo: Os Ciganos, é uma das formas de propiciar a alteração deste quadro que você descreve no post. Em geral o que é desconhecido tende a ser rejeitado, por isso ações como a sua, que fazem com que entremos em contato, mínimo que seja, com a cultura e a vida dos Rom abrem portas para a esperança de que as gerações futuras não vivam como hoje vivem este povo. É responsabilidade nossa sermos mais participativos, mais consciente e menos omissos, buscando conhecer e divulgar as causas e movimentos que impulsionem a melhoria de vida dos Ciganos. Depois que conheci o Canto Cigano, aprendi algumas coisas que eu ignorava, e hoje ler um post como este seu surte em mim um efeito muito maior que surtia antes, cresce um desejo de fazer alguma coisa, de contribuir de alguma forma, imagine este desejo habitando cada coração? Seria de fato uma possibilidade de mudança.

    Um beijo

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    1. Olá,meu Anjo;

      Ah, se todos tivessem sua inteligência, seu nível de comprometimento, seu senso de justiça; como o mundo seria muito mais poético, belo e colorido...

      Por fazer parte de tantas minorias, tais notícias já não me afetam tanto, principalmente por saber (não vivo de ilusões) que esta situação, assim como outras tantas de injustiça social, discriminação, intolerância, não mudaram tão cedo... talvez nunca...

      Mas sua análise foi perfeita, meu Amor; todos tem sua parcela de responsabilidade hoje, para que não sejam vítimas das consequências no amanhã. E isso não se limita ao povo Rrom, mas a todos os excluídos que procuram, senão salvação, ao menos conforto nas asas de Anjos como você.

      Por enquanto, ainda há tempo de fazermos a diferença, basta querer...

      Obrigado não só pela sua presença, mas por você existir e iluminar a todos que a cercam, minha Sereia.

      Beijos em seu coração!

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  2. Oi meu querido,
    A cultura cigana é uma das mais belas que conheço. E conheço pouco...
    A essência libertária e andarilha faz com que não se fixem em lugares e se submetam aos costumes tradicionais. Lindo isto...
    Sei um pouco como é, porque vivi em Circo durante boa parte da minha infância. Trepada em caminhões e picadeiros, estrada a fora...
    Um dia aqui, uma semana acolá... assim era.
    A estrada nos dá a liberdade. Faz bem a alma.
    Mas, nos priva dos benefícios materiais, comum a todos, ou quase todos.
    Não há como incluir socialmente, alguém ou grupo, se não sabemos a quem devemos incluir, por não sabermos onde e aonde encontrá-los.
    Eis o dilema do povo cigano: se enquadrar, ou continuar em “liberdade”?
    Não tenho respostas.
    Faço apenas uma breve reflexão.
    Beijão.

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    1. E que reflexão, meu Anjo...

      Exatamente a que é feita há mais de um século...

      A questão da etnia Rrom é complexa e ímpar, o que dificulta uma resposta apenas, por mais empenhado que sejamos. Principalmente porque não existe um apoio governamental, nem tão pouco o interesse da inclusão social, já que o número de Rroms, embora expressivo aqui no Brasil, não é o bastante para que se crie receitas especiais para a etnia, evitando qualquer tipo de estudo mais detalhado.

      Afora isso, ainda lidamos com o preconceito, tão arraigado, principalmente nos países europeus. Aqui no Brasil a situação é um pouco melhor, mas mesmo assim, apenas as famílias de clãs bem-sucedidos é que tem um certo conforto social. De resto, a realidade é bem negra e pouco animadora.

      No mais, o que importa realmente é que nos vejam como iguais, por mais diferente que possamos parecer, pois é um direito de todos os seres: Mostrar aquilo que realmente é e não o que precisa ser, para agradar aos outros.

      O respeito à cultura, crenças e costumes diferenciados é só o que pedimos, pois assim deve ser com todos aqueles que não pertencem às maiorias, mas que têm os mesmos direitos e deveres.

      É como dizia a grande Cecília Meireles, Irmã Romani de sangue e de alma:

      O MEU POVO NÃO QUER IR NEM VIR...
      O MEU POVO QUER PASSAR!!!

      Obrigado pelo carinho, Querida Beth!

      Ou, como diríamos: Nais tukê!

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