27 de mar de 2013

Os ciganos modernos

Os ciganos modernos

Eles preservam a cultura, mas dão valor ao estudo até para defender seus direitos, agora expressos em cartilha do governo

Mirian tinha apenas 12 anos quando passou pelo maior constrangimento da sua vida. Ela estava na sala de aula quando uma menina da sua turma perdeu uma caneta de ouro e, imediatamente, apontou a culpada. "Foi a cigana!", acusou. Mirian, a única aluna que teve a sua mochila revistada na turma, chorava num canto, enquanto os colegas assistiam à humilhação pública. Nada foi encontrado. No dia seguinte, a menina achou a caneta. "Não vai me pedir desculpas?", questionou Mirian. A resposta veio com arrogância: "Não. Porque cigano é ladrão mesmo". Elas se atracaram na frente da diretora e os pais foram chamados na escola. O cigano Alberto, pai de Mirian, acostumado a ser ofendido, ficou calado e de cabeça baixa, mesmo ciente de que a filha era a vítima. Mirian teve de se defender sozinha para permanecer na escola. Naquele momento, decidiu que seria advogada.



Mirian Stanescon, 60 anos, foi a primeira cigana a ter curso superior no País. Ela se formou em direito na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, em 1973, e resolveu se dedicar à causa dos ciganos Foi procuradora de Nova Iguaçu e, como advogada, elaborou em março, junto ao governo federal, uma cartilha de direitos do seu povo, como o registro do nascimento, saúde e educação públicas, que deverá ser distribuída aos 900 mil ciganos em todo o País. "Estima-se que a Romênia seja o país com a maior comunidade cigana. O Brasil é o segundo", afirma Perly Cipriano, subsecretário de Direitos Humanos da Presidência da República. "Eles ainda são muito perseguidos e precisam da proteção do Estado."

Os primeiros ciganos chegaram ao Brasil em 1574, expulsos da Europa pela Igreja Católica, que os considerava "um povo diabólico". No Brasil, se dividiram entre Calons - de origem portuguesa e espanhola - e Roms, do leste europeu, divididos em sete clãs - Kalderash, Moldowaia, Sibiaia, Roraranê, Lovaria, Mathiwia e Kalê, que se estabeleceram principalmente no Rio de Janeiro, Paraná, Pará, na Bahia e em São Paulo. Durante a segunda guerra mundial, os ciganos europeus perseguidos por Hitler aumentaram o contingente da comunidade brasileira.

Para preservar as tradições, a maioria deles evitava convívio com os brasileiros. Alguns trabalhavam como menestréis, ferreiros, artistas e damas de companhia, mas a maioria vivia em economia de subsistência. Isolados nas barracas, não acompanharam as inovações tecnológicas e rejeitavam o acesso à educação, temendo perder as tradições. "A partir dos 13 anos, a escola era vista como um perigo por causa do convívio entre meninos e meninas. Até hoje, nem todas as famílias deixam a criança estudar após o ensino fundamental", afirma Patrícia Szameitat, 32 anos, cigana formada em enfermagem por influência da avó. "Ao contrário da maioria das famílias ciganas, a minha sempre foi matriarcal e a minha avó priorizou a educação", conta. Aos 17 anos, ela abriu mão do casamento com um primo - que só tinha visto duas vezes - pela faculdade. Patrícia permanece solteira e quer estudar física nuclear. "Muitos ciganos questionam por que ainda não tenho marido e filhos, mas não ligo. Não tenho pressa", diz.

http://www.istoe.com.br/reportagens/5055_OS+CIGANOS+MODERNOS



Comecei a seguir um grupo no Facebook que fala a respeito dos

Ciganos e Ciganas Cultura e Tradições
https://www.facebook.com/pages/Ciganos-e-Ciganas-Cultura-e-Tradi%C3%A7%C3%B5es/262411260534756

 
E achei este texto acima maravilhoso...


E este foi meu comentário deixado lá:

Quanta injustiça! Quanto sofrimento! Como é difícil quebrar uma imagem errônea criada por uma sociedade preconceituosa! Um homem não se analisa por uma crença, por uma etnia, por uma roupa! Como são ignorantes e crueis os que fazem isto, eu não aceito estas divisões que fazem guerra, que afastam umas pessoas das outras...isolando-as e não deixando que tenham uma vida normal! Fiquei emocionada com esta história. Uma demonstração de que mesmo com todo o preconceito e dificuldade causado pelo preconceito esta família mostrou que tem caráter! Meus parabéns ao Povo Cigano que Deus sempre ilumine o seu caminhar!

VAMOS DAR O DIREITO DAS PESSOAS SEREM O QUE SÃO...
VAMOS SER HUMANOS...PELO AMOR DE DEUS

Janete Sales
Dany



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